"Nós queremos ser vistos, mas não com olhares tortos": Gabriel Parise fala sobre o G da sigla LGBTQI+

Gabriel Parise (Fotos de arquivo pessoal)

Ontem (23/06/19), aconteceu mais uma Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, que teve sua primeira edição lá em 1997 e há alguns anos se tornou a maior Parada LGBT do mundo. Pessoas do Brasil inteiro e de outros países reservam essa data todos os anos para vir até São Paulo e lutar pelos direitos dos LGBTQI+, além de festejar com as cerca de 3 milhões de pessoas que se reúnem na Avenida Paulista para seguir os trios de muitos famosos que apoiam e defendem a causa.

Mas o mês da visibilidade LGBTQI+ ainda não acabou e é por isso que temos mais um entrevistado hoje! É o Gabriel Parise, publicitário e digital influencer, de 23 anos, e que vai representar a letra G da sigla nessa matéria.

"Não sei se para todos foi assim, mas eu sempre soube que algo acontecia comigo, algo diferente. Eu cresci sabendo que mexer no cabelo é coisa de mulher, então eu queria fazer isso. Sempre fui essa criança mais afeminada, mais bichinha", conta Gabriel.


Até que ele cresceu e chegou na puberdade, aquela fase de caos que todo mundo enfrenta. "É nessa idade que a gente começa a sentir coisas e acontece que eu não estava sentindo tantas coisas assim por meninas, eu sentia por meninos", completa.

Ninguém nunca chegou para ele e disse que ser gay era errado, mas ele via isso na sociedade em que vivíamos na época. Na TV mesmo ele não tinha uma figura que o representasse. Como ele mesmo disse, as imagens televisivas de gays eram o Clodovil e a Vera Verão, que são totalmente caricatas.

Claro que existem, sim, homossexuais como eles, mas não é só essa imagem que os gays querem ver e transmitir ao resto da população.


No auge de seus 23 anos, Gabriel vê muitas ameaças à comunidade LGBTQI+ nas ruas, do tipo pessoas falando que querem matar todos os gays. Mas, para ele, pior do que quem fala são os olhares de quem acha que gays, lésbicas, trans não podem andar na rua com as roupas que se sentem bem, não podem andar de mãos dadas ou expressar qualquer atitude de afeto em público.

"Hoje, eu sei que o Gabriel não é só isso, só a roupa que está vestindo, então eu sei quem eu sou e acaba não me atingindo meu pessoal. Mas assim, é muito chato, porque você é olhado, as pessoas falam olhando pra você. Nós queremos ser vistos, mas não com olhares tortos".

"Minha mãe tem medo da forma como eu me visto para sair da rua, ela tem medo de eu sofrer agressão, e eu entendendo ela, mas já falei para ela que se acontecer alguma coisa comigo é porque eu vou estar ali lutando pelo que eu sou", continua Gabriel.

Para ele, o que precisamos fazer é sair na rua do jeito que somos, beijar nossos companheiros em público e mostrar que tudo isso é mais do que natural. "Eu chamo isso de militância passiva. Não preciso falar, não preciso gritar, não preciso bater em alguém, eu só existo", explica Gabriel.


Além de toda essa questão, Gab ainda afirma que falta muita representatividade midiática, que só agora começou a ter. Com a internet e a popularização das redes sociais, é muito mais fácil, hoje, encontrarmos pessoas em comum e que tenham voz ativa pelas causas que acreditamos, mas, para ele, é a grande mídia que atinge a massa ignorante, aqueles que não sabem de fato o que somos e que precisam mesmo de informação.

E é se mostrando dessa maneira tão natural, que, na internet, Gabriel Parise (@gabrielxparise) recebe muitas mensagens de seguidores falando que ele mudou seu dia, meninos que passaram a pintar a unha sem medo por causa dele, entre outras inúmeras coisas.


Ele até recorda de um vídeo que fez para seu canal no YouTubepara o dia das mães, no qual perguntava coisas básicas para sua mãe, como o por quê de ela ter escolhido tal nome para ele. E em uma das falas da mãe, ela disse que "nossos filhos são nossos maiores presentes e não podemos simplesmente virar as costas, porque eles são nossos amores, precisamos amá-los independente de tudo". E foi nessa que muitos seguidores do Gabriel mostraram o vídeo para suas mães.

"Quando alcançamos pessoas que não só nosso público, conseguimos ver o poder do amor", diz Parise.

E é com todo esse amor que ele diz amar essa cidade, porque ela o permite ser quem ele é. "Me permite frequentar lugares em que eu me sinto à vontade. Me permite sair para lugares que eu não conheço, permite que eu conheça outras culturas, outras vivências". Também por isso o lugar preferido dele é a Avenida Paulista, pois é onde ele vê e conversa com pessoas diferentes.

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