Hayden Gabriel fala sobre ser trans não-binárie, pansexual e demisexual

Hayden Gabriel (fotos de arquivo pessoal)

Hoje, dia 28 de junho, é o Dia do Orgulho LGBTQI+ e é por causa desse mês inteirinho dedicado à visibilidade da sigla, que nós, do Site À Paulista, em especial euzinha Fernanda Uehara, fizemos uma série de entrevistas com pessoas da comunidade e publicamos outras inúmeras matérias voltadas para a causa. 

Para fechar com chave de ouro o Especial LGBTQI+, a entrevista de hoje é com elu Hayden Gabriel, de 20 anos, um menine trans não-binárie, pansexual e demisexual.

Muitos de vocês devem estar comentando o quão complicado foi ler o parágrafo acima, que tem só duas linhas. Mas todos nós devemos pesquisar, perguntar e tentar entender os termos citados e os pronomes neutros, pois o mundo não é feito só de coisas femininas ou masculinas, podemos e devemos retirar os rótulos.



E foi diante de tudo isso que o descobrimento de Hayden foi bem peculiar. "Eu já conhecia algumas pessoas LGBTs, mas me entender como uma pessoa trans só rolou quando eu conheci um pouco mais sobre essa diversidade. Logo de cara, eu não me assumi como uma pessoa trans pra sociedade, mas pra minha família eu já cheguei avisando". E tudo isso foi um baque bem grande, porque seus familiares não esperavam por isso.

Mas tá, pera lá... Já não é do costume social, e nem rola muito interesse também, saber e entender o que é ser trans, ainda mais um não-binário. Para Hayden, além de enfrentar todo o preconceito dentro de casa e nas ruas, ainda precisa lidar com pessoas que usam pronomes binários para referir-se a elu.

Até mesmo antes disso, elu precisou estudar esses pronomes neutros e fez uma planilha. "Isso é muito estranho, porque você vai ver o inglês, o espanhol, o português mesmo, têm bases neutras, mas a língua portuguesa generalizou tudo. Por exemplo, quando vamos falar de pessoas, usamos 'eles'", explica Hayden.



Na internet, é um pouquinho mais complicado, porque muitas pessoas usam palavras que não são pronunciáveis, como colocar x no lugar de o ou a. Colocação numa frase, por favor: todxs somxs lindxs. Isso é ruim para pessoas com dislexia, é ruim para cegos que utilizam programas de leitura para saber o que está escrito nas páginas e é ruim pra todo mundo, porque não dá pra falar porra nenhuma das palavras que estão ali.

Então, que tal começar trocando o e a por e, em alguns casos? "Estou atrasade", "estarei liberade às 18h" e assim por diante. Ou até mesmo a letra u, como é o caso da palavra elu, que estou usando bastante nesse texto.

"É um processo bem lento. Mesmo eu tendo me assumido há quase 4 anos, minha mãe ainda está se adaptando com essas palavras", comenta Hayden. O importante é ter paciência, pois se há o interesse da pessoa em aprender, um enorme passo já foi dado, né?

Já não bastando toda a complexidade da transexualidade não-binária, Hayden Gabriel ainda é pansexual e demisexual. Bom, vamos lá... A pansexualidade, diferente da bissexualidade, não é só quando uma pessoa sente atração por homem e mulher, é quando se sente atraída por ambas as pessoas, independente de sua identidade de gênero. Então, um pansexual fica com homem, mulher, trans homem, trans mulher, trans não-binárie, drag queen, quem for.

E o demisexual? O demisexual, bb, é o indivíduo que só sente atração sexual por quem já nutre um sentimento ou ligação intelectual. A demisexualidade é quando o sexo só acontece com afeto, e ah que bom seria se todo mundo fosse assim, né?

"Tem muita gente que não entende essa denominação de demisexual e acaba rolando preconceito. Tem gente que fala que eu me atraio sexualmente pela Demi Lovato, ou diz que isso é brincadeira, que não existe", expõe Hayden. Quanta gente ignorante, credo!



Quando se trata de luta por direitos e igualdade, elu diz que ainda falta muita coisa a ser conquistada. "Ainda falta a base de informação, que é a principal coisa para um mundo consciente. Com isso, você tem amor ao próximo, você tem cuidado e apoio. Quando a pessoa que faz parte da comunidade LGBTQI+ não tem isso dentro de casa, ela vai buscar fora e acaba não achando também. O pior é quando ela é expulsa de casa e não encontra oportunidades na rua".

Outro problema citado por Hayden é a falta de suporte dentro da própria comunidade, pois uma letra acaba atacando a outra, num mundo onde a sigla inteira deveria se ajudar e unir forças.

"Quanto mais carinho você dá para uma pessoa, mais confiança e segurança ela vai ter para ser quem realmente é", afirma.

É até esse carinho que falta aqui na cidade de São Paulo. Hayden diz que SP é um lugar meio frio, apesar da diversidade de culturas e estilos. Por isso que seu refúgio são os parques que existem aqui, "é um lugar que dá pra relaxar e ficar em paz, pelo menos por um tempo".

4 comentários:

  1. Matéria maravilhosa :)
    E um menine maravilhose 😍

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  2. e quem se identifica com os dois sexos? feminino e masculino.

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  3. no caso não seria ''dois sexos'' da uma pesquisada.. existe pessoa com gênero fluido, oq ta incluso em pessoas não binaries

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