Buba Kore: Toda militância trans e drag importa

Buba Kore (fotos de divulgação)

"Somos atacadas e mortas covardemente. Temos TPM, dor de cólica, irritabilidade, enjoos, igual qualquer mulher", afirma Buba Kore, nossa entrevistada trans, de 23 anos.

Além do risco frequente de morte, elas não contam com leis específicas que as protejam; são excluídas do mercado de trabalho, tendo de recorrer à prostituição pelo menos em algum momento de suas vidas; têm muita dificuldade para acessar serviços de saúde e ainda sofrem com incompreensão e rejeição social.


Buba já se aceitou travesti faz alguns anos. Ela sempre teve excesso de hormônio feminino, por isso foi mais fácil o processo de aceitação. "Na adolescência eu assumia uma forma andrógina e com o tempo fui florescendo", explica.

"Como eu disse, o excesso de hormônios femininos sempre me fez muito feminina. Com 12 ou 13 anos, meus seios começaram a desenvolver sem hormônio algum e com o tempo foi parando", completa. Mas a aparência continuou e ela decidiu fazer a hormonação para continuar.

E como a representatividade importa, não é mesmo? A inspiração da Buba é a Marsha P. Johnson, que é militante, negra, ativista e drag queen. "Ela me representa em todos os sentidos, e como isso é bom. Mas não podemos nos enganar, pois ainda há muita coisa ruim. Me choco todos os dias com as histórias de mortes às pessoas T".


Para ela, na luta por direitos dos trans, falta a sociedade tratá-los realmente como seres-humanos. Eles não querem viver apenas de programa, muitas pessoas trans, mulheres trans principalmente, sonham com carreiras que não sejam essa, só não conquistam, pois não têm oportunidades.

"E aí, por muitas vezes, acabamos no programa ou mortas. Precisamos de dignidade e respeito. Não se vira trans, nasce trans, ou seja, existem crianças trans e elas precisam de cuidados, elas precisam crescer e ter as oportunidades que nós não temos hoje", ressalva Buba.

Já ajudando nessa mudança para o futuro, nossa entrevistada faz trabalho voluntário na Casa Florescer, uma casa de acolhimento para mulheres transexuais e travestis. Buba Kore também é palestrante em escolas, universidades e empresas, pois ela acha de extrema importância levar sua visão para esses locais, "para eles também aprenderem a lidar com a adversidade que a vida nos trás todos os dias".


A Buba também é produtora da Festa Fejão, um evento voltado para o público T que acontece aqui em São Paulo, e que mais do que isso ainda é um conceito, arte, resistência e informação. 


"Sempre atualizo a página com coisas atuais e informações importantes do universo LGBTQI+. Acho super importante envolver as pessoas de forma informativa em nosso meio e é extremamente gratificante ver o resultado disso com cada mensagem de agradecimento que recebo".

Tá achando muita coisa para uma mulher só? Pois fique sabendo que ela também é bissexual, aquela outra letrinha da sigla que acaba ficando um pouquinho desbotada, sabe? 

"A bissexualidade é invisibilizada e se torna sem credibilidade. Sempre escuto aquelas típicas frases que cansamos de ouvir, comigo ainda dizem que não posso ser trans e bi ao mesmo tempo. Hoje em dia eu cansei de ser e ter calma, porque em muitas das vezes a pessoa tá de deboche com a minha cara, então eu nem perco mais meu tempo explicando, só sigo meu caminho, informando somente quem quer informação", finaliza.


E é diante de toda essa trajetória que Buba diz que São Paulo é um lugar de muitas oportunidades, porém sem afeto. Mas se tem um lugar aqui que ela ama é o Centro Cultural da Vergueiro, lugar em que ela se sente muito à vontade, pois concorda com a política deles e enxerga todo o respeito que o local tem com a diversidade das pessoas. "E é ótimo chegar lá e ver vários LGBTQI+ felizes".

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