Povo Huni Kuin: O desafio em tempos de resistência

A missão de nativos indígenas que lutam por suas terras

Por Nancy Caprini

Respeito, harmonia e preservação ambiental são os princípios do povo indígena. Reconhecimento e empatia pela causa, é dever de quem se diz a favor da vida, já que não existe vida sem água, terra e ar. Dentro das comunidades nativas, o uso de todos os recursos naturais, é feito de forma consciente e sustentável. Os rios permanecem limpos, as plantas crescem, os frutos alimentam e a saúde se manifesta no corpo de quem ali vive. São pessoas que nutrem a terra e se conectam com todos os elementos presentes no meio ambiente. Conexão essa, que parece distante àqueles que estão presos na rotina das grandes cidades e algumas vezes, não compreendem a importância e necessidade de proteger os primeiros habitantes do nosso país.

Cacique Mapu Huni Kuin guiando a cerimônia de ano novo no Acre. 
Fotografia: Dia Freixo – Imagem registrada na força da Ayahuasca.

Desde a colonização dos europeus na América, os povos nativos são um marco de luta e resistência. No passado eram escravizados, hoje enfrentam a intolerância lutando de forma íntegra pelo fortalecimento da identidade cultural. A ideia que o Cacique Mapu Huni Kuin encontrou para resolver a questão das terras, foi se adaptando ao sistema econômico.

"Estamos num processo de compra de terras para assegurar que nosso espaço seja construído, porque eu vejo uma grande necessidade de ter uma base na capital de Rio Branco para dar suporte à juventude indígena".

Fotografia: Dia Freixo

Além da atenção com seus parentes, os Huni Kuin demonstram empatia e respeito à toda população: "A gente se preocupa muito com a saúde da humanidade também, nós temos conhecimento com as medicinas, nós vamos ficar parado ali ou vamos construir algo para oferecer a essa irmandade que tá precisando da cura? A cura da depressão, da rinite, da sinusite, da gastrite, da úlcera, do câncer. De vários problemas que a humanidade tá sofrendo e que nós temos conhecimento para curar com as medicinas".

A intenção deles consiste em abrir as portas a todos que desejam se curar através das medicinas sagradas. Mesmo com o objetivo de preservar sua identidade cultural, os Huni Kuin acreditam no propósito universalista. "A espiritualidade não tem fronteira, pra nós não tem fronteira, a espiritualidade é um só, é chegar de todo lugar do mundo, vem oferecer o que sabe, Yoga, massagem, o que fizer parte da cura da humanidade pra fazer uma integração", explica Mapu.

Todo valor de troca arrecadado nas cerimônias, é direcionado para a compra das terras. "Se é pra trabalhar vamos trabalhar, não tem problema. A gente é novo, a gente é jovem, podemos trabalhar, então vamos lá. Por isso a gente vem fazendo esses trabalhos, praticamente passa o mês todo, às vezes três noites sem dormir fazendo os trabalhos em várias cidades, trazendo essa consciência para a irmandade, a conexão do mundo espiritual do povo".

Resta a esperança. A esperança de que a população acredite mais na pureza dos nossos irmãos indígenas e menos no discurso dos poderosos, dos latifundiários, detentores do grande capital, que prometeram tantos avanços e nos fizeram acordar sujos na lama.

A partir de agora, a única barragem que merece ser rompida é a do pensamento, de modo que todos percebam o quanto os povos da floresta têm a nos ensinar e como devemos aprender, em relação à harmonia com a natureza.

E que os poderosos reconheçam, que sem as árvores, não teriam fôlego para contar o dinheiro.

Confira o documentário da cerimônia realizada em São Paulo, com a medicina Nixi Pae – popularmente conhecida como Ayahuasca e Santo Daime.

Produção Audiovisual – Dia Freixo https://www.youtube.com/watch?v=wSGo4rKoiFI&t=1s

Heshe Bena Tuweai - Ano Novo Huni Kuî 2018/2019

Produção Audiovisual – Dia Freixo https://www.youtube.com/watch?v=KuiGhsWD_V0

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