Nouve: o rapper vindo de Salvador para fazer o sol brilhar na terra da garoa

Foto de Filipe Rodrigues

Cheio de liberdade, positividade e carisma, Elimar Pereira Santos, mais conhecido como Nouve, também é cheio de garra, perseverança e sonhos. Essas características, que já acompanho há cerca de dois anos no Instagram, observo em alguns eventos que frequentamos e que também li em seu mapa astral, dizem muito sobre sua trajetória, não só na música como da vida. E é exatamente assim que sua música também é: uma trilha para novos dias que cantam ser possível sonhar e atravessar o mundo em busca do que se acredita.

Nascido e criado no bairro de Cajazeira, em Salvador - BA, o cantor começou a trabalhar de fato com rap em 2011, quando largou o emprego na rede de fast-food Mc Donald's e foi vender seus CDs pelas ruas e praias da cidade baiana.

Como já era revendedor dos produtos Labóratório Fantasma, o primeiro em Salvador, em 2009, foi convidado pelo time de Emicida e Fióti para vir trabalhar em São Paulo, em março de 2016.


Foto de Filipe Rodrigues

Mesmo com uma carreira recente, Nouve se consolida rapidamente na cena hip-hop. Com um EP (Respirando a Arte) e o novo single "Vou na Fé" lançados, o artista já se apresentou em shows e festivais importantes com grandes nomes do rap nacional como Emicida, Kamau, Rael, Lívia Cruz, Max BO e MV Bill.

Confira como foi o bate-papo completo:

À Paulista: Quando você começou a trabalhar com música e por quê?

Nouve: Comecei a trabalhar mesmo com RAP em 2011, quando saí do Mc Donald’s para vender os meus CDs pelas ruas e praias de Salvador.

AP: Quais são suas influências musicais?

N: Escuto, Reggae, Soul, MPB, Pagode. As principais são: Racionais, MV Bill, O Rappa, Planet Hemp, Jacob Miller, Gregory Isaacs, Lucky Dub, Kamau, Raça negra, SPC, Jorge Ben Jor, Natiruts.

AP: Por que o rap?

N: Pelo fato de estar ligada a liberdade de expressar coisas do nosso cotidiano, de uma forma que me identifico.

AP: Como foi quando você fez seu primeiro show? Onde foi?

N: O primeiro show lembro que foi em 2009, em uma batalha de Mcs que se chamava “Fora de órbita RAP”. Fiz a abertura do Evento com Baga Mc e Spock. Essa batalha acontecia no espaço Zauber Multicultural no centro de Salvador e era um dos poucos espaços que abria as portas para as festas de rap na época. Nesse dia tinha vários amigos presentes, e foi uma vibe inesquecível.

AP: Quais nomes da música nacional e internacional você mais tem ouvido ultimamente?

N: Nacional: Vida longa (Rincon Sapiencia), Junho de 94 (Djonga), Inconsequente (Drik Barbosa), Dying to Be Free (DNA Urbano), Invisível (Baiana System) Ta pra nascer quem não gosta (Rael), Fiança REMIX (Daganja), Em tu Mira (Baco Exu do Blues), Família (Saca Só), Bem à Moda (AND), Um corpo no Mundo (Luedji Luna), Levanta e Anda (Emicida).

Internacional: God’s Plan (Drake), Apparently (J.Cole),  Fallen Soldierz - Dead Prez  (Prod. by Beatnick & K-Salaam), Travellin’ Man (Mos Def),  All the Stars (Kendrick Lamar & SZA), Like you love me (Dreamon – prod. Laudz) entre outros.

AP: Há quanto tempo está aqui em São Paulo?

N: Dois anos.

AP: Por que escolheu São Paulo como residência?

N: Porque recebi o convite para trabalhar na Laboratório Fantasma, mas já era meu desejo vir para essa cidade, só estava esperando o momento certo!

AP: Qual região ou bairro de São Paulo é sua preferida e por quê?

N: Zona Norte é o local onde passo a maior parte do tempo, moro e trabalho aqui na região, tenho vários parceiros por perto. Me sinto em casa!

Foto de Filipe Rodrigues

AP: O que você deixou lá em Salvador que te deixa com mais saudade?

N: Minha Família, meus amigos e os rolés no meu bairro Cajazeiras. Sempre que posso, eu volto para visitar a galera e aproveitar pra repor as energias.

AP: Quando e como você entrou na Laboratório Fantasma?

N: Entrei em março de 2016. Fui o primeiro revendedor dos produtos do Emicida lá em salvador, isso em 2009.

AP: Como é o seu trabalho na LAB, principais funções?

N: Trabalho na área de Desenvolvimento de produto da marca LAB e de Merchandising.

AP: Conte uma história que mais tenha te marcado dentro da LAB...

N: São várias. mas, o 1º Desfile do SPFW em 2016 – Coleção YASUKE, foi um momento muito marcante pra mim.

AP: Como você vê sua história profissional no passado, agora e como acredita que ela será no futuro, seja ele próximo ou daqui um tempo?

N: Minha vida profissional no passado só foi de aprendizado. Todos os lugares que trabalhei, consegui extrair algo de positivo. Desde as vendas de caldo de sururú nas praias de Salvador, até o trampo no fast-food me ajudaram.

O futuro, penso em estar contribuindo ainda mais com a cultura hip-hop, ajudando outras pessoas estarem se profissionalizando para trabalhar na cena.

AP: Misturando arte com a vida real: Como você enxerga a cultura do rap, do hip-hop, dentro da sociedade, da história de vida de cada pessoa e da própria política?

N: O rap tem uma força muito grande de transformar pessoas, principalmente nas periferias. Cresci ouvindo Racionais e posso dizer que ajudou muito na minha formação como ser humano. Me mostrou como lutar sendo jovem, negro e de periferia.

Hoje, todo o compromisso e ligação que tenho com a comunidade de onde venho, é graças não só ao rap, mas sim o movimento Hip Hop.

Para acompanhar o trabalho completo de Nouve, siga-o nas redes sociais:



Nenhum comentário:

Postar um comentário