Cheia de luz, Carol Hubner ilumina o palco inteiro

Foto de Jéssica Cabral

As três campainhas do teatro apitam, as luzes do palco se acendem e o espetáculo começa. Dessa vez, a peça é a comédia "A Banheira" - em cartaz às sextas-feiras, até o próximo dia 30 de abril, às 21h30, no Teatro Ruth Escobar, em São Paulo, com texto e direção de Gugu Keller - e a estrela entrevistada é Carol Hubner, que interpreta a personagem Fernanda.

Duas horas e meia antes de começar o show Carol nos recebeu com todo o carisma que possa existir. O papo que durou pouco mais de uma hora, teria se estendido se ela não tivesse de se aprontar para subir ao palco.

Silvio Toledo e Carol Hubner em "A Banheira" - Foto de divulgação

É assim que ela vive há 12 anos consecutivos, se arrumando e desarrumando entre inúmeras personagens que percorrem sua brilhante carreira no teatro. "Eu preciso abrir uma porta para cada personagem e tenho que sair dela a cada final de espetáculo, se não eu fico louca, não sei mais quem sou eu e quem são elas", expôs Carol, que disse só ter consciência disso por causa das psicanálises.

Hoje, a atriz está em cartaz com duas peças - "A banheira" e "Diga que já me esqueceu" - e sempre foi assim, se desdobrando entre diferentes personalidades e estilos, fora a sua própria vida pessoal, com filhos, marido e a própria cabeça, né?

Sobre sua preferência por atuação, Carol Hubner se divide entre o que ela sente mais prazer em fazer e o que o público mais gosta de vê-la fazendo. "Eu amo ver as pessoas rindo enquanto eu tô ali numa cena de comédia, é uma resposta ao meu trabalho espontaneamente, na hora. Agora, eu adoro subir ao palco em uma peça dramática, mas ali não dá pra saber o que o público achou de mim. Acho que é isso, eu mesma ainda estou me descobrindo no drama, eu gosto de desafio".

Carol Hubner em "Diga que já me esqueceu" - Foto de Edson Lopes Junior

Além dos dois gêneros, ela já atuou bastante em espetáculos infantis, que ela gosta muito também. "Ai, é muito gostoso terminar a peça e ir conversar com as crianças, dar beijo. Quem não gosta de criança, né?", revelou.

E é desde criança que Carol tem contato com o teatro. Sua primeira lembrança é de quando tinha 11 anos e estudava em uma escola de freiras, em São Paulo. "Eu fui escolhida pela professora para fazer uma apresentação. Eu lembro até hoje, era uma peça sobre irmão mais novo, eu tenho irmã mais nova, e falava que irmão mais novo mexe nas suas coisas, quebra. Então, eu me senti livre ali para falar tudo o que eu não podia, acho que é isso, o teatro é libertador".

Para ela, outro lugar onde mora a liberdade é a Avenida Paulista, pois se tivesse que enumerar de zero a 100 todos os estilos e classes sociais, ela afirma que lá tem de zero até 100. "Diferente de Nova York, por exemplo, que é enorme e recebe as mais diversas pessoas do mundo, mas lá acaba que a maioria das pessoas pertencem ao mesmo grupo social, e na Paulista não. A Paulista é o lugar perfeito para quem é artista", disse.

Toda essa bagagem profissional tem muita coisa por trás... O que muitos devem saber é que, além de tudo isso, Carol Hubner foi vencedora da última edição do reality show Casa dos Artistas, do SBT, em 2004. "Lá em aprendi muito do que sei hoje, tive aulas de todos os tipos de interpretações", contou. Nomes como Bete Coelho, Luiz Guilherme, Vera Zimmermann e até Zezé Motta assistiram as apresentações da atriz na Casa. 

"Quando eu me questiono sobre a profissão que escolhi, paro, penso e digo a mim mesma que eu ganhei a Casa dos Artistas, que fui avaliada por grandes nomes da dramaturgia e tinha só 24 anos, é claro que eu sou atriz", completou.

Foto de Jéssica Cabral

Porém o que ela não sai falando por aí é que antes de conseguir seu DRT de atriz, teve de se questionar muito. "Eu precisava tirar meu DRT, por causa de uma peça que estava fazendo, e tinha de ser rápido, então eu fui para o Rio de Janeiro fazer as provas e eu passei, mas precisava comprovar minha cidadania lá, então eu pensei e coloquei na minha cabeça que não seria uma atriz de verdade se não conseguisse isso em São Paulo".

"Depois eu tentei em São Paulo, fiz a mesma cena que tinha feito no Rio e não fui aprovada. Como assim, né? Ser artista é subjetivo, não é uma coisa que seja certa ou errada. Então, no ano seguinte, eu tentei de novo e aí sim passei", finalizou.

Exatamente assim que ela pensa, atualmente, sobre a questão de retirarem ou não o DRT dos artistas. "É muito subjetivo, todo mundo pode ser considerado um artista, mas acho que não vale a pena tirar essa conquista da gente, o DRT nos dá alguns direitos, como quando eu vou fazer um trabalho publicitário e recebo uma taxa a mais por causa do meu registro, mas é só isso, porque a grande maioria não tem carteira assinada, nosso trabalho é totalmente amador, no sentido de amar mesmo a profissão".

Se tem uma coisa que é nada subjetiva é que Carol Hubner é, de fato, uma atriz espetacular. Quando está no palco, ela brilha, e brilha tanto, que faz seus companheiros de cena brilharem também.

Nenhum comentário:

Postar um comentário