Muita performance no SP-Arte 2018: Festival vai do dia 11 a 15 de abril na Bienal


A SP-Arte inaugura um espaço totalmente dedicado à performance para a sua próxima edição. Ao longo dos cinco dias do Festival, artistas selecionados apresentam cinco performances simultâneas de longa duração, criando uma atmosfera intensa que desafia os limites e a resistência. Essa experiência de imersão radical será um dos destaques da 14ª edição da SP-Arte – Festival Internacional de Arte de São Paulo, que ocupará o Pavilhão da Bienal entre 11 e 15 de abril, reunindo em um só lugar mais de 140 galerias de arte e design nacionais e estrangeiras.

Expressão artística que vem ganhando cada vez mais destaque no Brasil e no mundo, a performance foi incorporada ao Festival em 2015. Nas úlimas edições, as apresentações se espalhavam pelo Pavilhão. Este ano, porém, com o intuito de dar ainda mais atenção e destaque ao tema, o evento estreitou seus laços com Paula Garcia, artista, curadora independente e colaboradora do Marina Abramovic Institute, para desenvolver um projeto inédito para um espaço de 220 metros quadrados no segundo piso do Pavilhão. Nele, trabalhos de artistas de diferentes backgrounds se complementam ao mesmo tempo em que o público se sente parte do processo. Segundo a curadora, essa disposição é inovadora por oferecer um contraponto à dinâmica usual das feiras, onde os estandes são todos abertos. "É um projeto muito intenso dentro de um local que não é um espaço de arte tradicional. É uma excelente oportunidade para que os artistas de performance criem novas estratégias junto ao sistema, representado pelas galerias, museus e coleções", explica.

Ao dispor os trabalhos lado a lado, Garcia promove um diálogo constante, uma vez que todos compõem uma perspectiva única, afetando-se mutuamente. Ao entrar nesse espaço intimista, o público também se torna parte do conjunto, integrando uma cena complexa, que se modifica a cada segundo, enquanto as ações, ora rápidas, ora lentas, se sucedem.
No setor, há artistas de gerações e contextos distintos. Em comum, todos são autores de obras multidisciplinares, que aproximam a arte contemporânea de distintos campos do saber. A paulistana Karlla Girotto parte da pergunta "O que pode ser manipulado num trabalho de arte?" para apresentar uma performance que busca ampliar os multisensoriais aspectos da percepção. Usando estratégias de manipulação, trata de materializar o que acontece entre os conceitos de corpo e performance, ambos um sistema complexo de experiências e representação. A questão das vestimentas, e seu impacto na vida cotidiana, também é abordada na produção da plataforma criativa Brechó Replay. Criando conexões entre arte, moda e política, seus integrantes propõem um olhar atento ao movimento social que os leva a criar histórias e ambientações onde corpos excluídos possam ter protagonismo.

Paul Setúbal, artista goiano indicado ao Prêmio Pipa 2017 se apropria do sistema de mercado das artes em "Compensação por Excesso", trabalho que propõe um contraponto entre o valor histórico e comercial do objeto de arte e o valor do corpo na sociedade, em um jogo constante de tensão e sustentação.

O paulista Gabriel Vidolin, por sua vez, utiliza a cozinha como ateliê. Na Feira, o chef tratará do poder curativo dos alimentos, questionando a divisão entre a medicina e os conhecimentos tradicionais. Já a dupla Protovoulia, formada por Jéssica Goes e Rafael Abdalla, traz o trabalho Debris. Utilizando uma grande quantidade de cinzas proveniente de resíduos carbonizados, os dois criam um conjunto de imagens efêmeras que remetem ao processo de construção da memória pessoal e também comum.

Nesse novo formato, o setor reúne obras potentes, que, assim como a tradição da performance, tratam de temas de impacto na esfera pública. "É um estilo que está em diálogo profundo com a contemporaneidade, dando respostas, a partir do corpo, a questões urgentes, sejam elas políticas, de gênero ou sociais", afirma a curadora.

SP-Arte/2018
Datas abertas ao público:
12 a 15 de abril – Quinta-feira a sábado, das 13h às 21h. Domingo, de 11h às 19h. 
Preview: 11 de abril
Pavilhão da Bienal
Parque Ibirapuera, Portão 3
São Paulo, Brasil
Entrada:
R$ 45,00 [geral]â?¨R$ 20,00 [meia promocional*]
*estudantes, portadores de deficiência e idosos com mais de 60 anos [necessária a apresentação de documento]. O Vale-Cultura poderá ser utilizado para o abatimento de 50% do valor do ingresso. Crianças de até 10 anos não pagam entrada.
A bilheteria encerra suas atividades 30 minutos antes do término do evento.

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