Disjointed: vamos desenrolar esse beck aqui


"Nossa, que incrível, a Netflix produziu uma série sobre maconha", foi o que pensei quando vi 'Disjointed' (Desenrolados, na versão BR), nos lançamentos do streaming. E se dizem que a primeira impressão é a que fica, realmente, estão bem enganados, porque assistir a série foi bem como queimar uma sativa mesmo: a pressão vai abaixando, se for depois do sexo, o tesão ameniza, e às vezes você até dá aquela risada.

Lançada em 25 de agosto desse ano, 'Disjointed' é produzida em parceria com a Warner Bros, tem como cenário uma loja de cannabis e traz como elenco principal a maravilhosa Kathy Bates como a ativista e protagonista Ruth, além de Aaron Clifton Moten como Travis, Tone Bell como Carter, Dougie Baldwin como Pete, Elizabeth Alderfer como Olivia, Elizabeth Ho como Jenny, Chris Redd como Dank e Betsy Sodaro como Debby.


Bom, então vamos começar a "dichavar" essa série... Em dez episódios de 25 a 30 minutos, ela tenta mostrar como é a vida de um maconheiro. Mas só tenta mesmo, porque a realidade é bem diferente.

De uma forma bem chula, 'Desenrolados' não faz jus ao seu título, porque quando eles poderiam se aprofundar nas causas do movimento, lá nos anos 60 e 70, quando Ruth marchava pela erva, a história foi contada bem superficialmente.


A propósito, preciso falar sobre o nome da série: QUE NOME ESPETACULAR! Você lê e logo pensa: "puta que pariu, certeza que vão quebrar, pelo menos, um tijolinho do tabu que é para a sociedade aceitar a marijuana". Mas sinto em informar, novamente, preciso deixar bem claro, que não é nem um pouco assim.

'Disjointed' brinca bastante com a cara de quem fuma um... Traz pra frente, na trama, os chapados bocós, nesse caso, Debby e Dake, meio que tipo: "se você fumar maconha, vai virar um retardado".

Epa, pera lá, não é bem assim. Quantas pessoas, chefes de estado, líderes, com cargos importantes, não fumam maconha e continuam tão inteligentes quanto? Na boa, pensa no seu ciclo de convivência, colegas de trabalho, chefes, familiares, quem passa por você na rua... É quase certo que 95% deles queimam uma ponta, não se assuste, é mais comum do que imaginam e aí eu posso até garantir que acontece, na vida de todos, com mais frequência do que o sexo - uma pena, ou não, não sei do que eu gosto mais.

Como nem só de erros que se vive, a série tem pontos positivos não só em ter dado um puta título, mas em explicar, a cada episódio, um tipo de erva diferente, como os casos da Erva da Eva, a de Schrodinger e o Verde de Pyongyang, por exemplo.

Outra coisa que achei não ter tragado muito bem foi o estilo de enredo que 'Disjointed' escolheu, é bem aquela pegada 'Kenan e Kel', particularmente não gosto muito, mas pra quem gosta, recomendo.


Agora, brisa errada mesmo é o final da temporada, que meio que estereotipa que todo maconheiro tenha esse tipo de futuro. Só faz reforçar o preconceito que muitas pessoas têm contra a causa.

Mas, pode ser que todos esses pontos negativos tenham sido propositais, ou somente percebidos bem depois, quando já não dava mais tempo de refazer tudo, porque os próprios criadores colocam ali, quase nos créditos, aquela cena extra, de duas pessoas assistindo 'Desenrolados' e dizendo que tudo não passava de uma besteira, porque os maconheiros não são assim.

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