Depressão: quando a luz apaga


O sorriso vai se fechando, o brilho nos olhos se apagando e o alto-astral se deteriorando cada vez mais. Não é uma tristeza repentina ou passageira, é degenerativa, bem devagarinho mesmo: é depressão.

"Você é a pessoa mais energia positiva que eu conheço e ultimamente está tão apagadinha", disse minha amiga. Essa sou eu!

Até um ano e alguns meses atrás, eu era uma pessoa totalmente para cima. Eu quem incentivava as pessoas a extravasarem, fazerem loucuras, correrem com os braços abertos pela praia, se sentirem livres. Mas essa característica foi sumindo.

Uma enorme dor no peito começou tornar-se constante. Sabem aquela angústia que bate no estômago, ou no coração, ou em ambos, que já é tão forte que você nem sabe mais onde dói? Estava assim.

Comecei a fumar cigarros e cada vez com mais frequência. Nada que eu fazia aliviava a dor interna, que não era física, não era na carne, não dá pra explicar.

Não tinha com quem desabafar, contar meus problemas. Naquele momento, todos eram estranhos, eu não tinha amigos, ou só achava que não tinha. Nada do que me falassem me colocava pra cima, era difícil.

Comecei a faltar nas terapias, não tinha mais vontade de fazer nada. Quando estava em casa, passava o dia todo dormindo, porque eu não ânimo para fazer qualquer atividade que não fosse dormir - isso não é só preguiça, é depressão.

Os memes e romantizações de depressão, que via na internet, só me incentivavam cada vez mais a me matar. E eu pensei nisso, não nego. Vocês sabem como é sentir tanta dor mental a ponto de quererem acabar com a própria vida?

Talvez me restasse o mínimo de consciência sadia, por isso não acabei com tudo logo.

"Se eu me matar, vou foder com meu grupo de TCC, porque eu estou com vários trabalhos e documentos que eles precisam pra se formar". Ou eu só estivesse prezando pelo bem dos outros.

Não vou contar os motivos que fizeram essa doença se desenvolver em mim. São um tanto quanto particulares e complicadas, mas me recuperei.

Acho que não estou 100% ainda. Inclusive, acho que regredi um pouco, agora. Mas quem me ajudou muito a continuar querendo viver foi minha irmã. 

Ela nasceu há pouco mais de seis meses e veio como uma luz. Olhar para aquele serzinho, tão indefeso, mas tão poderoso, me fez pensar que eu precisava viver para ensiná-la a enfrentar esse mundo tão cruel.

Hoje, minha mãe falou que eu mudei muito de um ano para cá: "Antes, você era mais feliz". Por que só hoje, mãe? Se você via minha mudança antes, devia ter me falado, me ajudado.

Não podemos mascarar essa doença, fingir que o amigo, o parente, ou somente alguém, não está mal. Precisamos conversar, contar que ele está não está bem, porque ele não tem consciência disso, entende?

Não é drama, não é frescura, não é só uma tristeza passageira. É doença, é grave, é degenerativa e mata.

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