Encontro à paulista


Aqui em São Paulo é muito comum as pessoas marcarem de se encontrar na catraca do metrô, um local por onde é muito difícil passar sem ver quem já está lá.

No entanto, quando se trata de Avenida Paulista e dias como sexta-feira à noite ou sábado, avistar um amigo ou namorado, por exemplo, nas catracas ou estações abarrotadas de pessoas, se torna uma verdadeira missão impossível. São tantos "ois" e "tchaus" que os locais ficam pequenos.

Para fugir disso, há quem prefira subir as escadas da estação no sentido centro, atravessar a rua Augusta e parar à frente de um shopping conhecido da região. 

Mesmo sendo sábado, a avenida mais importante do país, e o centro de compras mais famoso dela, não param. De lá é possível ver um grande relógio, fixo do outro lado da rua, no terraço do Conjunto Nacional. Os ponteiros marcam 19:30. 

No chão da avenida, milhares de carros e pessoas dividem o espaço. 

Olhando em volta vemos pessoas encarando o celular, o relógio e a rua, tudo em sincronia. A espera, às vezes, parece interminável. 

Também é possível avistar uma menina loira olhando insistentemente para um espelho, onde procura algum mínimo defeito, até então, ao meu ver, inexistente.

Uma senhora no mais casual dos estilos: roupa de ginástica e tênis, aproveita o breve momento que a escultura em formato de coração fica livre, tira uma fotografia e passa do meu lado, toda feliz com a recordação. 

Duas amigas conversam tentando decidir onde jantar. Um casal parece discutir baixinho enquanto um outro, para do meu lado e têm o diálogo que eu me vejo tendo daqui alguns anos. Ele embala o bebê, olha a amada e diz:

- Eu aceitava um café agora!

Ela prontamente o olha nos olhos, já com um sorriso malicioso, e confessa:

- Eu queria mesmo era uma cerveja.

Os dois saem, provavelmente em busca de um bar calmo para não assustar a criança que dorme.

Um homem na faixa dos 35 anos se encaminha para mim com um olhar de esperança e pergunta:

- Você é a Samira?

A minha negativa o faz olhar para baixo e ter um ar pensativo. Fico imaginando há quanto tempo ele espera pela moça. 

Após 17 minutos começo a escutar música para relaxar, há muito não ficava nervosa desse jeito. Sentindo muito mais do que borboletas no estômago. 

Começo a pensar se, aos olhos das outras pessoas, também já estou sendo vista como o rapaz que ainda esperava pela Samira. 

Enquanto observo ao redor de mim, em busca de olhares incriminadores, encontro o teu. As borboletas param, a respiração tranquiliza e o sorriso aparece involuntariamente em meu rosto. 

- E aí... demorei?

- Só a vida toda.



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