Tributo a um amor que passou

Adeus até o dia em que nos encontrarmos de novo. Não precisa chorar, tudo vai ficar bem. Mas você lembra dos nossos domingos de manhã, o mundo frio do lado de fora do nosso quarto, mas nós dois nos mantendo aquecidos entre sorrisos e respirações entrecortadas? Eu me lembro. Também lembro bem dos dois sentados no sofá da sala, aquele com a mancha de vinho que conta uma história de dias mais felizes.


Não acredite nas histórias sussurradas pelas nossas costas, nas línguas maliciosas que tentam tirar de nós as boas lembranças. Acredita em mim? Quando eu disser que tudo vai ficar bem, diz que acredita em mim. E não minta. Você sabe que eu conheço seus tiques, a mão que passa nervosa pelo cabelo e o olhar que foge do meu quando há algo errado.

Ei. Olha pra mim. Mesmo que você já não enxergue as constelações que um dia enxergou no meu olhar, não desvie os olhos dos meus como se tivesse vergonha. Não há nada para se desculpar. A vida tem dessas coisas. Você achou outra constelação, e tudo bem.


É outono agora. Minha estação preferida, mas eu sei que você sabe disso. Foram incontáveis outonos ao teu lado, sentindo o vento gelado da estação bagunçando nossos cabelos e trazendo os tons alaranjados para as folhas das árvores. O outono te lembra de mim? Ou esse é só mais um dos detalhes que serão guardados em uma caixa empoeirada no seu inconsciente? Tudo bem, de qualquer maneira. Tente me guardar com carinho, sim? Prometo fazer o mesmo. Esse é um tributo a um amor que passou. Pena que não foi o meu.

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