Dica À Paulista: 'Sense8' vai além da ficção científica e mostra o poder das minorias


Se fossemos homo sensorium, certamente, vocês estariam sentindo o que eu sinto com essa segunda temporada ESPLÊNDIDA de Sense8.

Disponibilizada pela Netflix na última sexta-feira (5), a tão esperada continuação da série causou, não só em mim, como nas pessoas ao redor do mundo, uma mistura de sentimentos. Podemos citar aí: euforia, orgulho, desespero, angústia, raiva e muito amor. Esqueci de pontuar algum? Deixa aí nos comentários.

Sem deixar a desejar em nada, a nova temporada foi muito além, está beeeeeeeem acima da média da anterior, que já era foda! Ela conseguiu decifrar algumas dúvidas que tínhamos, como a: que porra essa Angélica é e fica fazendo na memória desse grupo de senses?

Em contrapartida, também trouxe muitos outros questionamentos - que, sem dúvidas, deixarão a terceira temporada extremamente mais atiçante.

Ponto forte da temporada

Mas, se tem uma coisa que a segunda temporada de Sense8 abordou com MUITÍSSIMA força foi o empoderamento das minorias.

Para quem acha que Kala não passa de uma simples mulher doce, pura e romântica, não sabe o quanto sua inteligência a faz mais forte e viva nessa continuação... Coloco minha mão no fogo para dizer, com muita convicção, que, sem a indiana, pelo menos, Will, Riley, Wolfgang e Sun já estariam mortos.



Por falar em mulherão da porra, não posso deixar de citar a sul-coreana Sun Bak. Na primeira temporada, já mostrara todo seu potencial com a luta, ajudando Capheus bater em cinco homens, sozinha. Porém, dessa vez, ela se põe ainda melhor, não só com as artes marciais, mas com a sabedoria e o coração: sem ela, Lito Rodrigues não deixaria certa fragilidade de lado para se tornar aquilo que sempre sonhou.



Se é para falar de minorias, não podemos esquecer do mexicano, que, com toda sua masculinidade, trouxe um discurso LGBT muito importante à série. - Abro um espacinho aqui para falar sobre a cena na Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, que ficou muito linda na linguagem cenográfica e me fez derramar um pouquinho de lágrima, porque minha imparcialidade é totalmente frágil, ainda mais quando se está presente no dia dessa gravação.



Ainda no universo de tantas bandeiras coloridas, Nomi Marks foi um tapa na cara da sociedade quando falou sobre o dia de sua cirurgia de redesignação. De verdade, se seu coração não estremecer nessa parte, certamente você não tem um.

Ela também é personagem fundamental nessa temporada, porque é quem faz documentos falsos, mas tão perfeitos quanto os originais, para Riley e Sun. "Quando o governo dificulta a alteração de documentos para transexuais, nós precisamos fazer por conta própria".



Como deixar para trás o Capheus? Justo ele, negro, pobre, de um dos subúrbios do Quênia, que toma a frente e se mostra líder da massa, a melhor pessoa para comandar o povo.



Não menos importantes

Mesmo sendo de uma minoria, Riley é a mulher da série que não luta por um ideal social. É muito comum, é alguém que podemos ver como coadjuvante em todas as outras tramas.

Me passou aqui pela cabeça que é ela quem traz à série o universo das drogas, mas nem por essa causa ela luta. Não vejo meus pais assistindo suas cenas e refletindo sobre como a maconha, por exemplo, não é o bicho de sete cabeças que eles acham que é.



Mas devo confessar, ela foi muito corajosa em se colocar a prova para decifrar mais um enigma dos Sense8.

Seu namorado, Will Gorski, ficou um pouquinho na retaguarda também e deixou que os outros personagens aparecessem bem mais na segunda temporada. Acho que a tentativa de fazê-lo o protagonista dos protagonistas, na temporada anterior, não deu muito certo.



Porém, ainda mostrou muita força, diante de sua fraqueza. Se reergueu para ajudar Capheus e em seguida ser peça tão importante para socorrer também a Sun.

Wolfgang ficou para o final, porque foi o cara da vez no solucionamento do desfecho de tantas dúvidas e também o que trouxe tantos outros pontos à tona.



Muitas das cenas de adrenalina se dão por sua causa - não esperávamos menos do alemão - e aquela pitada de amor que todas as produções adoram inserir, são entre ele e Kala. Olhar para Wolfgang e o amor de sua vida até nos faz acreditar que um dia encontraremos alguém para amar e sermos amados.

Enquanto isso, a vontade de ser um homo sensorium e poder amar esse elenco inteiro mais de pertinho só aumentam.



Sense8
Ano: 2015 e 2017
Classificação etária: 18 anos
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=vCRmyEcUciI
Assista na Netflix

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