Violência que mata de dentro para fora

A série da Netflix '13 Reasons Why' é um tanto quanto real na vida de muitas pessoas pelo mundo inteiro, não é à toa que um aviso antes de começar alguns episódios alerta para cenas fortes e podem causar danos psicológicos nos espectadores. 

Mas, hoje, estou aqui para falar especificamente de um episódio: "12 - Fita 6, lado B". Aquele em que Hannah Baker conta ter sido estuprada por Bryce Walker. 


Assim como na ficção, ouvi, também na vida real, que o ocorrido com a protagonista não foi estupro. Ela estava só de lingerie dentro da jacuzzi, na festa de Bryce Walker, não tentou escapar da situação... Talvez só julguem assim quem nunca passou por algo parecido e quem não tem o mínimo de empatia por outra pessoa.

Assim como os casos de bullying que acontecem na série e que também se fazem presentes na vida real, esse tipo de estupro acontece no dia a dia. Pelo menos aconteceu comigo...

Foi em uma de minhas viagens ao Rio de Janeiro. Eu conversava com um rapper de lá e acabamos marcando de nos encontrar. 

Estava na Lapa, não tinha bebido muito, só meio litro de caipirinha. Peguei o táxi e fui até o bar em que ele estava, em Santa Tereza.

Chovia muito, muito mesmo, então decidimos ir direto para a casa dele. O carro só pararia em frente ao bar e ele embarcaria.

Sim, eu fui sim para a casa dele. Qual é o problema? Sim, eu também queria transar com ele. Qual é o problema?


Se você viu problema nos questionamentos acima, certamente não vai entender que o real problema está por vir.

Depois de uns copos de cerveja, um tempo papeando sobre algumas músicas e uns tragos no ret, começamos a transar.

O sexo, que parecia ser bom, começou a ficar abusivo quando o rapper quis comer meu cu à força. Sim, ele começou sem permissão e continuou mesmo com meus pedidos para que ele parasse.

Não é uma condição do sexo eu ter que liberar a bunda. Assim como, se eu quisesse parar de fazer qualquer coisa, ele teria de respeitar. Mas não foi o que aconteceu nesse dia...

Eu pedi, não uma, não duas, não três, pedi muitas vezes para que parasse. Ele? Ele me obrigou a aguentar até que seu pau excretasse aquele esperma nojento que tem.


Infelizmente, minha desvantagem em ser menor que ele também o ajudou. Não consegui sair, porque ele me prendera embaixo de seu corpo. Como se não bastasse, ainda tapava minha boca, para que eu não gritasse.

Ao final de seu prazer tão abusivo e criminoso, achei que estivesse livre. Peguei minhas roupas e comecei a vestir. Ele disse não. Ele disse não! Não era pra eu me vestir, porque teria um segundo round da pior luta que já tive. 

Não foi uma, não foram duas, foram três vezes. Ele comeu meu cu à força três vezes. Quanto mais eu pedia pra ele parar, mais ele fazia e mais fraca eu ficava, já não tinha nem mais forças para gemer. Ele ainda ousou dizer: "viu? Depois de um tempo, você acostuma".

Finalmente ele gozou pela última vez e me deixou ir. Chamou o táxi, em seu celular, para mim e ainda beijou minha boca antes que eu entrasse no carro, como se tudo aquilo fosse natural.

O vazio que senti foi igual ao de Hannah Baker, é como se ela já estivesse morta durante o que acontecia. Por meses, tive noites mal dormidas, pesadelos que me lembravam tudo o que tinha acontecido. E ele? Assim como Bryce Walkers: "se isso foi estupro, todas as garotas querem ser estupradas por mim".


Nenhum comentário:

Postar um comentário