#Entrevista9 - Karina Ramil: humor com jeitinho brasileiro e sotaque carioca

Quem nunca - nunca mesmo - riu de pelo menos um vídeo do canal Porta dos Fundos, que atire a primeira piad-- quer dizer, pedra. Nos últimos anos, a fama do canal é inegável e, entre os comediantes e atores que mais se destacam temos Karina Ramil (não importa se o papel é de uma psicóloga indiscreta ou uma participante muito entusiasmada em uma reunião do Whatsapp).

Foto: Divulgação
No elenco fixo do Porta desde abril de 2016, a atriz está se tornando um dos rostos mais conhecidos dos vídeos do coletivo de humor, que atualmente conta com mais de 13 milhões de inscritos no Youtube e uma rede de fãs que parece ir muito além disso. Afinal, sempre tem um vídeo perfeito para marcar aquele migo no Facebook, né?

Formada pela Faculdade de Artes Cênicas do Rio de Janeiro, Karina segue uma tradição familiar ao trabalhar no meio artístico: ela é filha do cantor Kleiton Ramil, gaúcho que, junto ao irmão Kledir, forma uma das duplas de MPB mais conhecidas do país. Já sabemos que a veia artística veio daí (e suspeitamos que o nome com a letra K também! #XeroqueRolmes), então resolvemos bater um papo de ~um minutinho só~ com a Karina sobre a carreira e os projetos paralelos dela!

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Confira como foi a entrevista:

À Paulista: Apesar de serem diferentes áreas, ter alguém da família envolvido com o universo artístico foi um incentivo para a sua carreira como atriz? 

​Karina Ramil: Acho que sim. Desde pequena acompanho a carreira do meu pai e dos meus tios que são artistas, então comecei a ter intimidade e curiosidade com o palco relativamente cedo. Além dos meus pais sempre terem me incentivado com cursos de artes plásticas, teatro e música. Então acho que ajudou nesse sentido, sempre tive muitos estímulos.

À Paulista: O que A Companhia de Quatro Mulheres representava pra você na época da sua criação? E hoje, ainda mais diante do cenário atual em relação ao empoderamento feminino nas mais diversas áreas e plataformas?

Karina Ramil: A Cia de Quatro foi e é um grande lugar de troca, estudo e criação. Eu, Anita Chaves, Andrezza Abreu e Lorena Comparato nos juntamos por não acharmos nosso lugar no meio. Naquela época éramos jovens mulheres querendo falar milhares de coisas, mas não alcançando oportunidade, nem papéis. Infelizmente até hoje a maioria das personagens femininas é limitada, ficam "a quem" das mulheres na vida real. E agora eu vejo com mais força que essa é uma verdade. Não éramos só nós que pensávamos daquela maneira. É muito gratificante e instigante ver o empoderamento feminino acontecendo, acredito que nos dê mais garra para fazer arte e produzir reflexões. ​


Cia de Quatro Mulheres - Foto: Kyra Mirsky
À Paulista: Como foi o processo para integrar o Porta dos Fundos?

​Karina Ramil: No final de 2015 vi umas chamadas em algumas redes sociais do Porta procurando atores e atrizes. Alguns amigos me incentivaram e eu mandei meu material pra lá! Me chamaram pra uns testes e entre eles algumas participações. Depois de um tempo me perguntaram se eu tinha interesse em entrar pro elenco fixo, e disse que sim! Fiquei muito feliz com o convite.

À Paulista: Qual foi o vídeo mais engraçado que gravou? Já aconteceu alguma coisa tão inusitada durante uma gravação que foi difícil continuar?

Karina Ramil: Já gravei vários que tivemos ataques de risos. Há pouco tempo fizemos um que todos tinham que falar juntos, eram quatro atores e foi quase uma missão impossível, mas sempre dá tudo certo no final. Nunca estive em nenhum vídeo que teve que ser interrompido.
À Paulista: Qual de seus parceiros do Porta dos Fundos você acha mais engraçado?

Karina Ramil: ​Nossa, que pergunta difícil! Eu acho todo mundo engraçado, o legal é que a variedade é muito grande e cada um tem seu jeitinho. Não tem muito como comparar.



À Paulista: Teatro, cinema, TV ou internet? Qual é sua plataforma de trabalho preferida?

​Karina Ramil: Eu cresci fazendo teatro, então sempre gosto de fazer peças e praticar. Me sinto plena quando estou atuando no teatro. Cinema e TV tive menos contato, mas ainda assim admiro, talvez um dia possa falar melhor. A internet conheci com o Porta e amei, é ágil, divertida, além de ter menos "limites". Enfim, acho que cada um é prazeroso da forma que é e espero que surjam outros. ​

À Paulista: Na sua opinião, o humor tem que ter limites?

Karina Ramil: Acho que as pessoas têm limites. Hoje em dia tem-se mais questionamento sobre o que é piada e acho isso muito válido. Começamos a nos colocar no lugar do outro que não tem voz. Pra mim humor é inteligente, e se for pra rir da minoria ele deixa de ser.

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À Paulista: Algum conselho para aspirantes a atriz que querem seguir o segmento humorístico?

Karina Ramil: Estudar, estudar e estudar. Todo mundo deve dizer isso, mas é a mais pura verdade e no humor não é diferente. Tem um livro que é maravilhoso chamado O Riso de Henri Bergson, fica a dica como um ótimo começo! 
E como não poderia deixar de ser, as perguntas de praxe do À Paulista: 

À Paulista: O que São Paulo representa para você?

Karina Ramil: São Paulo me remete à energia e cultura. Amo ir "praí" pra ver peças novas, exposições ou até mesmo andar pela rua. Acho as pessoas diferentes e mais respeitosas com o estilo de cada um e isso me fascina. Parece que viajar pra São Paulo é uma pílula de endorfina rs.​

À Paulista: Qual lugar de São Paulo é sua cara?

Karina Ramil: Vou ser clichê, mas eu AMO andar pelo Ibirapuera, não sei se é porque aqui no Rio não tem nenhum parque que me contagie tanto, mas sempre que vou "praí" faço um esforço pra dar uma passadinha lá.

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