Despedidas

Se tem uma coisa que eu odeio nessa vida é me despedir. Todo o sentimento de dar tchau/adeus e a angústia da incerteza não me agradam nem um pouco, mas, infelizmente, isso foi uma das coisas que nós mais fizemos. 



Uma lembrança muito clara que tenho de nós, me faz voltar dois anos atrás, em praticamente todas as sextas-feiras. Ficávamos deitados em sua cama, abraçados, enquanto você repetia algumas vezes: "não vai embora não, você só volta na segunda". 

Eram só dois, mas pareciam intermináveis, não é? 

E a cena se repetiu mais algumas vezes. 

Uma em que eu dizia "não vai, você só volta em um mês", daquela vez que você foi passar as férias em seu lar, afinal casa de verdade é onde está a família, a 2.500 km de mim. 

Em outra ocasião, você pedia para eu não sair do nosso paraíso no Sul na Bahia, após 10 dias passeando de barco, ficando deitados na areia, andando quase 8 km sem perceber e eu apreciando uma das coisas que mais amo na vida: o pôr do sol. 

Seis meses depois disso lá estávamos nós, em mais um aeroporto. Dessa vez você repetia insistentemente que iria voltar em dois meses. No entanto, logo após as lágrimas trocadas no portão de embarque, eu tive certeza que não seria só isso. 

E não foi. 

Depois de dois anos de espera estamos aqui, novamente juntos, na capital paulista. A noite de garoa deixa o clima mais paulistano ainda. Os sorrisos parecem os mesmos, a conversa é igual e eu, como sempre, não paro de falar.

Você escuta. Sorri. Segura minha mão. E só me observa. 



Não é fácil colocar em dia assuntos de tanto tempo, principalmente quando, neste período, eu encerrei um ciclo da minha vida, mudei algumas amizades e estou prestes a lançar um livro. Arrisco-me mesmo até a contar sobre os crushs que apareceram e sumiram quase com a mesma rapidez neste meio tempo.

O destino, no entanto, não brinca em serviço. Pelo menos não o nosso. 

Em qualquer silêncio na conversa nós já emendamos outro assunto, apenas na esperança de evitar a conversa que iria acontecer a qualquer segundo. 

Depois de 730 dias estamos novamente deitados, juntos, em uma cama de casal. Eu com a cabeça no seu ombro e você beijando minha testa. E a nossa já conhecida despedida começa a acontecer: 

"Por favor, não vai. Dessa vez você estará a quase oito mil km de distância e não tem data para voltar." 

Fechamos os olhos e nos imaginamos anos antes, quando nossas primeiras despedidas eram solucionadas com um "tá bom, só vou avisar minha mãe". 

Hoje isso não vai acontecer.

Reúno, então, todos os meus sentimentos, pensamentos e vontades e formulo a frase mais madura que consigo: 

- Vai bem, fica em paz e seja feliz! Eu sempre disse que você merecia o mundo, então já estava na hora de você ir buscá-lo.



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