Onde mora o erro


Mais uma noite maravilhosa ao lado dele. Nossa, e como foi bom! Uma pena eu ter que me levantar e deixá-lo aqui para ir trabalhar.

Outra noite maravilhosa ao lado dele. Dessa vez, de outro. Uma pena eu ter que me levantar e deixá-lo aqui, novamente, para ir trabalhar.

Um desses homens é incrível. Ele é inteligente, educado, sabe como tratar quem quer que seja, mas, em relação a mim, ele é um tanto quanto bipolar. Ora quer uma coisa, ora quer outra, ora está tudo bem, ora nem tanto. Não sei como ainda não desisti.

O outro é mais incrível ainda. É tão inteligente quanto, tão educado quanto, sabe como tratar quem quer que seja, e, em relação a mim, ele é fantástico! Me enche de elogios, faz aquele carinho gostoso e até arruma a cama do jeito que eu gosto – ele já sabe como eu sou. Mas não consigo sentir nada por ele que não seja carinho, respeito e admiração.

Eu tento fazer meu coração bater mais forte por esse cara, juro que tento. Olha como ele me faz bem, até dormir de conchinha é muito melhor quando é com ele. A verdade é que eu me sinto uma sereia em sua companhia. Ouço elogios sobre a marca do meu biquíni, ele gosta do meu cheirinho quando volto da praia e qual princesa dos mares não gosta de conchinhas, não é mesmo?

Em relação ao primeiro, já té tomei um porre, daqueles de chorar pra amiga e pegar outro cara na frente de todos os seus amigos, só pra ver se afeta. Aparentemente, só quem se afetou mesmo fui eu.

Aí eu penso: “que vida canalha. Por que eu gosto de alguém que não me faz tão bem assim enquanto tem outro perfeito tão perto de mim?”.

Acho que nesse caso também vale a reflexão: se Nietzsche diz que não amamos a pessoa em si, mas sim a sensação boa que ela causa em nós, porque eu não amo aquele que só me faz bem?

O fato é que eu não sei se saberei se vale a pena amar um, se vale a pena tentar amar o outro, e eu sempre sairei sem saber se algum dia eu volto. Voltar, talvez, seja onde mora o erro.



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