Vai ser no banheiro do bar



Os olhos verdes dele estavam quase sumindo em meio à luz também verde do bar. Era um daqueles lugares que você vai quando é a última semana do mês, mas precisa de uma cerveja gelada e uma música boa e tão alta que te faça esquecer os problemas que estão fora das quatro paredes enfeitadas de espelhos gigantes.



Era o terceiro encontro dos dois, ou seria o quarto? Na verdade a cronologia entre eles nunca foi muito boa, nem mesmo as conversas eram diárias. Aliás, até hoje não se sabe se o eles foram um caso ou uma perfect illusion, como diria Lady Gaga. Ela sempre fica com a segunda opção.

Já tinham se visto antes, mas naquele dia a vibe era diferente. Ela sentia uma vontade absurda dele. Os olhos já haviam percorrido o corpo dele inteiro, aumentando o desejo a cada sorriso meio torto e olhada sem vergonha. A recíproca, de acordo com os beijos, as mordidas e o volume na calça dele, era verdadeira.

A cada gole de cerveja os dois mostravam mais o que queriam. A cada puxada de cabelo deixavam claro que a noite que tinha começado em um outro local, com vinhos e requinte, acabaria sem glamour nenhum e com muito suor envolvido.

Ela já tinha perdido a conta de há quantas horas estavam ali. Era junho, estava um frio típico de São Paulo, por volta de 11 graus. Pelo menos do lado de fora do bar, pois lá dentro só esquentava.

As mãos dele já tinham entrado na saia dela. Por conta do clima a moça vestia uma meia calça grossa. Depois de duas investidas falhas, ela tratou de ir ao banheiro e voltar com a meia na mão.

Ele quase explodiu de tesão na hora. Ela se sentiu uma puta muito realizada no momento. Era só o começo.
Os dois se olhavam fixamente enquanto tentavam ler ou penetrar na mente um do outro. A mão, agora sem barreiras, deslizava coxas a dentro. Dava pra sentir o pecado e a vontade instalados ali a uns 100 metros de distância.

"Vão querer mais cerveja?" Interrompeu o garçom, provavelmente já de saco cheio da visão que era aquele casal dentro do bar.

"Pode trazer" disseram quase com a mesma entonação e rapidez, sem nem olhar para ele.

- Para de me morder assim. Ele suplicava, mesmo querendo mais.
- Você tá gostando assim. Ela dizia com o tom de safado que ele mais admirava.
- Desse jeito eu vou querer te foder aqui nesse bar mesmo.
- E quem disse que não era isso que eu tava pensando?

Alguém chamou o garçom na calçada do bar, claramente era um sinal do universo de que eles iam conseguir ter o que queriam.

Subiram "naturalmente" as escadas do bar. Não sabiam o era mais gostoso: a adrenalina ou o tesão. Provavelmente a mistura dos dois foi o que criou um sentimento "do caralho".

Entraram no banheiro feminino e a porta estava com o trinco quebrado. Que surpresa para um bar meia boca em plena rua Augusta. Logo ele tratou de empurra-la na parede enquanto os pés dos dois tentavam fechar a porta do jeito mais desastrado existente.

Ele abaixou e blusa dela e (puta que pariu) quase teve uma epifania. Se perdeu naqueles peitos que já estavam duros de tanto tesão e clamavam por aquela língua toda molhada que os chupavam sem parar.

Segurou o pescoço com força, o cabelo com mais força ainda, prendeu o corpo dela na parede, mostrou toda a vontade que estava guardada dentro dele e repetiu em alto e bom som o quanto ela era a puta dele, pelo menos naquela noite.

Enquanto isso ela praticamente pingava. Começou a sentir o volume na calça dele e ajoelhou no chão, sem pudor, nojinho ou qualquer outra coisa, e o chupou como se aquele fosse o último pau que passaria pela boca dela. Passou a língua em cada parte dele e só parou quando o moço, quase gozando, falou que era a vez dele.

Depois da chupada veio o empurrão na parede, a ordem para ficar de costas e um belo tapa na bunda, daqueles que ficam marcados durante dois dias. Ele a fez pedir para que pela foda, queria escutar aquela moça com cara de santa falando que queria ser dele naquele bar mesmo. E ela o fez. Entre gemidos quase implorou o que queria... e recebeu.

O pau que já estava latejando entrou nela e a fez quase gritar. Com a mão tampando a boca da moça, ele a fodeu ao som de 'Often', do The Weeknd, música que tinha acabado de começar a ecoar pelas caixas de som do bar que, naquele horário, já havia virado uma balada.

Girl I do this often.
Make that pussy poppin'.
Do it how I want it.

Gozaram quase no mesmo segundo que escutaram barulhos fora da porta. Tentaram se recompor o melhor possivel. Ele saiu antes, enquanto ela tentava limpar o batom vermelho que estava no queixo e o rímel que estava borrado no canto e arrumar o cabelo.

Abriu a porta e o deu de cara com o segurança do bar. Provavelmente deve ter ficado com uma cara de pânico, pois viu a razão da sua calcinha molhada ai lado do funcionário do lugar, rindo e com um maço de cigarro e um isqueiro na mão. Ele esticou o braço para ela e, como nos mais clichês dos filmes, foram fumar.

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