Que amor que nada


Na noite quente que fazia em Copacabana, em pleno outono, dia 30 de março de 2016, o relógio marcava 19h e o termômetro 28ºC, e eu estava ali com frio, dentro de uma van com o ar condicionado a -9ºC (pequeno exagero de minha parte).

Estava molhada, pois não havia me secado direito ao sair do mar do Leblon, apenas troquei a roupa e pronto. Meu voo de volta para São Paulo era às 20h30 e eu tinha de ir para o aeroporto Santos Dumont ainda.

Dentro da van estavam comigo meu cinegrafista, o repórter de outra emissora com seu cinegrafista, a assessora de imprensa que nos acompanhava e o motorista. E tudo o que eu pensava era: “como queria um cobertor quentinho”. Não conseguia nem conversar com eles.

Quando chegamos no aeroporto, aquele repórter charmoso, já do lado de fora da van, me estendeu a mão e me ajudou descer. O achei um verdadeiro lord.

No check-in, outro ato generoso:

- Fê, você está com frio? - disse ele.

Eu pensei: “aff, agora que me pergunta isso?”, e respondi:

- Agora não. O ar condicionado aqui está tranquilo, mas o de dentro do avião é bem friozinho.

- Eu te empresto minha camisa. - falou ele.

E já foi tirando a camisa, sem ao menos eu ter dito que queria mesmo. Mas aceitei. Afinal, não é sempre que as pessoas são gentis.

Já na sala de embarque, eu tinha me perdido do meu câmera, que ficara retido na revista porque estava com um garfo na bolsa. Logo avistei o repórter charmoso e seu parceiro, que vieram em minha direção.

Eu o disse que havia perdido meu parceiro de trabalho e ele falou:

- Não tem problema, eu fico com você.

Fiquei um pouco surpresa, porque 1º: aquela hora tive a certeza de que ele estava me dando ideia, e 2º: quem sempre é cara de pau na hora do xaveco sou eu. Mas já que ele jogou a corda, eu decidi puxar e fiz cara de quem gostou do que ouviu.

Ele, seu câmera e eu sentamos próximos ao portão 2, do nosso embarque. Meu cinegrafista logo chegou e ficou no maior papo com o colega de profissão, afinal, eles tinham um assunto em comum.

O bom foi que eu pude conversar com o lord do jornalismo, tínhamos a profissão e a atração sexual em comum, o que deixou nosso papo mais cheio de intenções do que o dos nossos colegas.

Ele me passou seu número, eu o chamei no Whatsapp e ele me salvou. Embarcamos no avião e só nos falamos de novo quando chegamos em São Paulo, às 21h20.

Na tela do celular apareceu: “fez boa viagem?” e eu respondi que sim. Ele perguntou se eu queria uma carona para casa e eu falei que o motorista do jornal iria me buscar, mas que aceitaria seu convite.

O motorista de sua emissora foi nos buscar, deixei que meu parceiro voltasse sozinho, com nosso motorista, e fui com eles.

Chegamos na emissora, deixamos o material da matéria que ele fez no Rio e fomos para o carro dele. Cheio de lábia, ele pediu para sentir meu cheirinho (que, detalhe, era de água salgada do mar). Veio em meu cangote, deu uma suspirada e me beijou.

Foi ótimo, foi gostoso, foi romântico para os dias de hoje.

Saímos da emissora e fomos para um motel. O sexo foi selvagem, duradouro. Na cama, na hidro, no chuveiro. Mas, como em todos os outros sexos que fiz, o amor não estava ali.

O amor não estava presente, mas foi real, foi verdadeiro, foi romântico e foi bonito. Sim, foi bem bonito, foi lindo! Sei disso porque enxergava tudo pelo espelho do teto, em um dos poucos momentos de passividade em que eu estava por baixo dele.

Foi quando vi, presencialmente, que o sexo é algo bonito, além de gostoso. E que ele também pode ser romântico sem haver amor, apenas contendo carinho e respeito. Sem ser baunilha, contendo inúmeras performances.

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