Indecisão

Você não sabe dizer que não quer, mas não responde dizendo que sim”. Eu olho para você e te vejo sorrir, mas seu olhar desvia do meu depois de meio segundo. E nesse período, que nos últimos tempos parece meio século entre nós, eu enxergo. Nervosismo. Preocupação. Medo. Indecisão.



Lembra quando era o contrário? Nem que nos olhássemos por horas a fio, meus olhos não cansavam dos seus. E as emoções eram outras, tão diferentes dessa maldita indecisão que assombra cada passo que damos juntos. Onde antes sabíamos o caminho que queríamos seguir sem nem mesmo pensar, como uma coreografia bem planejada, hoje hesitamos. Mudamos de ideia, achamos motivos e coisas melhores para fazer. Outros lugares, outras pessoas, outros prazeres em novas mãos e bocas.

As notificações que deixavam nossos dias melhores vão, gradualmente, parando de chegar. O telefone não toca, as mensagens sem nexo mas que faziam parte de um diálogo todo nosso já não existem mais. Então outros ícones vão tomando nossos celulares, nossos olhares e nossos amores. 



Agora, sentada na varanda e observando as luzes da cidade, analiso a situação pelo o que ela foi: uma aventura inimaginável que morreu quando chegou ao único obstáculo que não poderia enfrentar sozinha. Mais um relacionamento ralo abaixo por causa do tão conhecido “E se?”. E se ele for mais engraçado? E se ela for mais bonita? E se ele se der melhor com a minha família? E se ele for melhor de cama? E se?



É engraçado quando os filmes e livros usam o clichê das três palavrinhas, mas esquecem de mencionar que elas podem perder todo o efeito quando confrontadas com três letras e uma interrogação.


“Deixa, talvez seja melhor”.

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