#Entrevista4 - Rael: da rima, do hip hop, do amor, do imaginário...

(foto de Jorge Bispo)

Minhas mãos suavam frio, não conseguia respirar direito e até mesmo pedir informação à moça da livraria foi difícil. A Tarla, que estava junto comigo, que vos diga. Ela precisou completar minha frase, já que eu travei na hora de perguntar: “com licença, [...] onde compra o CD do Rael?”.

Sim, era por causa dele que eu estava daquele jeito. Confesso que, como jornalista, eu preciso me controlar um pouquinho mais, mas como agir naturalmente diante de um dos cantores que mais admiro e respeito?

O nervosismo era maior, porque além de comprar o disco que lançara uma semana antes, o próprio Rael iria autografar um para mim e outro para sortearmos aqui no site (sim, vai rolar sorteio do CD ‘Coisas do Meu Imaginário’ autografado, veja no final da matéria).

Rael segurando o CD que pode ser seu (foto de Tarla Prado)

Na hora que eu fiquei cara a cara com o rapper, eu já tremia tanto, que o último andar do Conjunto Nacional também se segurava para não cair. Dei um abraço forte nele e cumprimentei-o tentando parecer uma pessoa normal.

(foto de Tarla Prado)

Tudo foi por água abaixo quando eu falei: “ai, quero super te falar uma coisa” e travei. Durante os meus 15 segundos calada, ele disse: “pode falar”. Daí eu contei que temos um amigo em comum – o grande jornalista Juca Guimarães – e que ele o tinha entrevistado dias antes.

Muito simpático, o Rael respondeu que esse amigo é “gente boa pra caralho”. E, naquele momento, a vez de entrevistar era minha. Ae, Juquinha, vai pensando que é só você (risos).

(foto de Jorge Bispo) 

Confira como foi o bate-papo: 

À Paulista: Quando você começou compor as próprias músicas?

Rael: Eu tinha uns 17 anos e formei um grupo com amigos da quebrada, que se chamava Can KND. Ali comecei a compor, ainda de uma maneira bem experimentando e aprendendo (risos). 

AP: Você participava de batalhas de rap? Como vê a importância dessa intervenção?

R: Eu não participava batalhando, mas com o Criolo apresentei a Rinha dos MCs, que foi uma batalha muito importante, aonde nomes como Emicida, Projota e Rashid, entre vários outros importantes na cena, iam para rimar.

AP: Suas músicas retratam muito da realidade da maioria do povo brasileiro, de algumas minorias, principalmente. Mas o que observo também é que você fala bastante de amor em suas letras, o que é um pouco incomum no rap. Você é uma pessoa apaixonada? E o que se passa em sua cabeça enquanto compõe?

R: Não necessariamente as músicas são sobre mim ou coisas que vivi. Às vezes algo que vejo, que alguém me conta, tem um personagem ali que não sou eu muitas vezes, mas realmente tem isso de que as minhas músicas de amor parecem tocar as pessoas de um jeito especial. Em todos os discos tem uma de amor que vira hit. Quando estou fazendo música – e para mim o rap é música, é arte – eu me deixo levar pelo que acho que aquela base pede, sabe? E tem horas que eu ouço e já penso: isso aqui é uma música de amor.

(foto de Jorge Bispo) 

AP: Recentemente, no dia internacional do hip-hop (12/11), você participou do Festival Sons da Rua. Como você vê um festival de tal tamanho só de hip-hop? Porque, infelizmente, os festivais ainda são muito voltados para outros estilos musicais.

R: Foi uma iniciativa que eu valorizo muito. É verdade, não se vê festivais de rap daquele porte, com aquela estrutura, ainda que o rap esteja aí, cada vez mais ocupando espaço no mercado, na música brasileira. Mais do que isso, na zona leste. Foi muito especial poder estar com meus amigos fazendo música, com minha banda, toda aquela estrutura, fiquei feliz de ver que há quem esteja olhando e valorizando isso.  

Show do Rael no Festival Sons da Rua (divulgação) 

AP: E como enxerga esse apoio dado aos novos grupos e rappers, como aconteceu no festival?

R: É ótimo que estejam fomentando essa cena, ainda mais quando parte de quem consegue colocar para tocá-los em um lugar com boa infraestrutura, dar visibilidade a eles. 

AP: Sobre o novo CD, lançado no último dia 11, como foi toda a preparação? O que você prezou muito nesse trabalho?

R: Eu tinha muita vontade de trabalhar com o Daniel Ganjaman e essa pré-produção já foi um grande aprendizado. Acho que o que me norteou foi mesmo essa consciência de estar diante de uma oportunidade única, que eu queria havia muito tempo. É um clichê dizer isso, mas a cada trabalho a gente vai ficando mais maduro, acho que esse disco foi o que eu me desafiei mais, tanto na caneta quanto na parte vocal mesmo.  

Chico César, Rael e Daniel Ganjaman (foto de Filipe Borba) 

As duas perguntas de praxe do site À Paulista:

AP: O que São Paulo representa pra você?

R: É uma doideira, deixa a gente maluco, mas eu amo essa cidade, não sei se conseguiria viver em outra.

AP: Qual lugar de São Paulo é a sua cara?

R: A quebrada onde nasci e cresci, o Jardim Iporanga, na Zona Sul.

‘Coisas do Meu Imaginário’ – aposto que o seu também vai voar longe ouvindo esse CD


“São as coisas do meu imaginário tanto no sentido dos temas que vinham rondando a minha inspiração quanto no sentido de realizações mesmo, muito especiais, como essa de ter um disco produzido pelo Ganjaman ou de dividir o microfone com um ídolo do hip hop como o Black Alien sempre foi pra mim”, conta Rael sobre o nome do disco.

Não há como negar que esse CD veio mesmo para mexer com o imaginário de todos que o ouvem. Como não se colocar como personagem na primeira faixa (Do Jeito)? Como não ouvir os próprios rouxinóis cantarem enquanto esperamos o nascer do sol na paisagem mais linda que nossas mentes podem criar? E como não querer ser um verso para morar numa canção dele? Boas obras costumam aflorar nossa mente mesmo, né?

O fato é que Rael não trouxe a tona só a percepção imaginária assim do nada, para fazer isso, ele aborda temas de extrema importância social, como o uso da internet e intolerância religiosa.

'Coisas do Meu Imaginário' também foi eleito um dos 10 melhores discos do segundo semestre de 2016 pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte).

Agora, por que você mesmo não ouve o CD, que pode ser baixado no Spotify, iTunes, Apple Music e Deezer, comprado fisicamente pelo Laboratório Fantasma ou tentar a sorte em ganhar uma cópia autografada aqui pelo À Paulista?

PROMOÇÃO: CD AUTOGRAFADO POR RAEL

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(foto de Fernanda Uehara)
 
O À Paulista agradece à assessora de imprensa Marina Santa Clara Yakabe por ajudar com a entrevista e material de apoio à matéria.

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