Ser garota está longe de ser tarefa fácil

Ontem comemoramos pela quinta vez o Dia Internacional da Menina, mas a data não é tão comemorativa assim, é mais uma simbologia para reconhecer os direitos e os desafios que as garotas enfrentam em todos os países.

Reconhecendo que ainda temos muito a conquistar, a ONU (Organização das Nações Unidas) disse: “Se efetivamente apoiadas durante a adolescência, meninas têm o potencial de mudar o mundo – tanto como meninas empoderadas de hoje quanto como futuras trabalhadoras, mães, empreendedoras, mentoras, chefes de família e líderes políticas”, destaca o site da organização.

Além disso, a ONU divulgou, esse ano, um relatório sobre a qualidade devida das meninas por todo o mundo, e o nosso Brasilzão aqui ficou em 102º posição dos 144 que constam no documento (não é um número muito bom, não é mesmo?). O mais chocante é que, além disso, ocupamos o 4º lugar nos países que mais têm crianças casadas (QUE ABSURDO!).

Tudo isso só comprova o que já se refletia nas ruas, mas só via quem sofria, né?


Certa vez fiz uma publicação em meu Facebook falando sobre a dificuldade de ser tanto menina quanto mulher nesse mundo, e um de meus “amigos” da rede comentou que as mulheres só sofrem lá no oriente (Índia, Iraque, Irã...), que aqui no ocidente é só a gente lutar para conseguir as coisas.

Muito me revoltou esse seu pensamento mesquinho. Quem é ele para dizer tal babaquice? Eu, que sou mulher, já sofri muito com machismo e opressão masculina. Quem é ele para dizer que tudo isso não passou de frescura minha?

Para me ajudar “garrar” nojo do cara, ele ainda disse que as mulheres só são assediadas porque são bonitas, que tudo isso não passam de elogios... AAAAAAAAH, eu não sou fruta, mas me poupa!

Eu já fui assediada quando era menina, agora, mulher. Já fui assediada na escola, na faculdade, no bar, no trabalho. Já fui abusada no metrô, como se não bastasse uma vez, foram duas. Já fui, inclusive, estuprada, porque se eu digo não é estupro sim!

E ele pode até ler isso aqui, ver a realidade diante de seus olhos, mas sua visão continuará a mesma. Não adianta vermos, temos de enxergar e saber que aquilo, que tudo isso, poderia não ser assim para vivermos em um mundo melhor.

Na mesma linha de raciocínio, a ONU reconhece que os principais investimentos, por ora, devem ser para: melhorar a educação; evitar casamento infantil; levar informações e serviços sobre a puberdade e idade reprodutiva; e proteger as meninas de gravidez indesejada, doenças sexualmente transmissíveis e violência baseada em diferenças de gênero. Com mudanças nessas áreas, o Brasil melhoraria sua posição no relatório da ONU. Mas cá entre nós, ainda faltaria melhorar muito coisa, que para mim, só educando as novas gerações de meninos e meninas e esperando os escrotos de cabeça formada se extinguirem.



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